Tirei uma semaninha de folga e não me passou pela cabeça que encontraria assunto gastronômico em um lugar como o Saco do Mamanguá, no Rio de Janeiro, onde toda a oferta são três barracas de caiçara que servem peixe, arroz, feijão e farinha. Uma delas, tocada por um simpático senhor evangélico, nem cerveja para acompanhar... A verdade é que comida é sempre comida e até quando ela falta vira assunto. Nem mesmo na alta temporada o único fiorde brasileiro oferece mais que o PF a base de peixe. Chega a ser surpreendente a falta de hábito de fazer uma horta no quintal para garantir uma saladinha, um temperinho... A única coisa que eles plantam é a mandioca, que garante a farinha para o ano inteiro - em boa parte do ano, ela inclusive substitui o arroz.
Desembarcamos no Saco do Mamanguá de mãos abanando, porque disseram que tinha uma venda por lá. Uma trilha de 1h20 e quatro praias depois, chegamos ao tal bar do Zizinho (um dos três do local), que tinha sim uma vendinha anexa. Mas estava vazia: pão, manteiga, frios nem em sonho. Como turista nesta época é raridade, só tem enlatado mesmo. Cerveja, sardinha, uns vidros de palmitos suspeitos, com cara de que foram extraídos do quintal mesmo, e molho de tomate. "Só que o macarrão acabou, moça. Vamos reabastecer pro ano novo".
Bom, mas com aquele marzão, o peixe estava garantido, certo? Errado. Nadávamos com eles, passávamos horas no píer observando-os, mas sem nenhuma varinha à mão, ter um deles para botar na panela era difícil. Muitos pescadores estavam embarcados à caça de camarão para vender na cidade e os poucos moradores locais que tinham um peixinho não queria saber de vender - era para a subsistência mesmo. O garoto aí da foto descolou o almoço (dele, é claro), e nós ficamos a ver barquinhos, sonhando na esperança de que de algum deles pudéssemos conseguir um peixão! (Continua...)





