Me irrita quando as pessoas chamam tudo de iguaria. Na acepção da palavra, não está errado. Iguaria, segundo os dicionários, é uma comida delicada e apetitosa, como costuma-se dizer, um "manjar". Mas para mim, coxinha não é iguaria e sim quitute, brigadeiro não é iguaria e sim guloseima - e que fique bem claro, isso não desqualifica essas delícias calóricas que eu tanto gosto.Agora, tartufo bianco ou trufa branca me convence de que merece o título. E não é só pelo preço não, mas sim por ser selvagem: se trata de um tipo de fungo subterrâneo que nasce espontaneamente nas proximidades das raízes de carvalho e castanheiras. Tipo assim, ao sabor da natureza. Ninguém diz vou colher trufas, mas sim caçar trufas. Em outras palavras, é um achado que, em finas fatias, perfuma e dá nobreza a carnes, saladas, massas e até a um singelo ovo frito. A razão para os preços estratosféricos, evidente, é pelo fato de se encontrar pouco tartufo branco a cada ano.
As melhores e mais raras trufas brancas do planeta vêm de Alba, cidade na região de Piemonte, onde há mais de sete décadas existe até uma Feira Nacional do Tartufo. O evento é um acontecimento, que inclui até um leilão (comandado por um ator de cinema) do maior do tartufo encontrado naquele ano.
Bom, mas porque comecei a falar disso? Porque vi a notícia de que em três únicos dias a Casa Santa Luzia (Al. Lorena, 1471, 3897-5000) vendeu três quilos da iguaria (sim, já concordamos que é iguaria, certo?) por R$ 28 mil o quilo. E sabe do que mais? Eles ainda tem mais um quilo guardadinho, que será vendido de sexta (18) a domingo (20). Só um quilinho, entendeu? Fico imaginando a fila para comprar tartufo... Dez gramas sai por R$ 280. Tem cacife (e coragem) para encarar?









