16 Dezembro 2009

Tartufo branco a R$ 28 mil o quilo. Vai levar, madame?

Me irrita quando as pessoas chamam tudo de iguaria. Na acepção da palavra, não está errado. Iguaria, segundo os dicionários, é uma comida delicada e apetitosa, como costuma-se dizer, um "manjar". Mas para mim, coxinha não é iguaria e sim quitute, brigadeiro não é iguaria e sim guloseima - e que fique bem claro, isso não desqualifica essas delícias calóricas que eu tanto gosto.

Agora, tartufo bianco ou trufa branca me convence de que merece o título. E não é só pelo preço não, mas sim por ser selvagem: se trata de um tipo de fungo subterrâneo que nasce espontaneamente nas proximidades das raízes de carvalho e castanheiras. Tipo assim, ao sabor da natureza. Ninguém diz vou colher trufas, mas sim caçar trufas. Em outras palavras, é um achado que, em finas fatias, perfuma e dá nobreza a carnes, saladas, massas e até a um singelo ovo frito. A razão para os preços estratosféricos, evidente, é pelo fato de se encontrar pouco tartufo branco a cada ano.

As melhores e mais raras trufas brancas do planeta vêm de Alba, cidade na região de Piemonte, onde há mais de sete décadas existe até uma Feira Nacional do Tartufo. O evento é um acontecimento, que inclui até um leilão (comandado por um ator de cinema) do maior do tartufo encontrado naquele ano.

Bom, mas porque comecei a falar disso? Porque vi a notícia de que em três únicos dias a Casa Santa Luzia (Al. Lorena, 1471, 3897-5000) vendeu três quilos da iguaria (sim, já concordamos que é iguaria, certo?) por R$ 28 mil o quilo. E sabe do que mais? Eles ainda tem mais um quilo guardadinho, que será vendido de sexta (18) a domingo (20). Só um quilinho, entendeu? Fico imaginando a fila para comprar tartufo... Dez gramas sai por R$ 280. Tem cacife (e coragem) para encarar?

09 Dezembro 2009

Todos os ingredientes do mundo!

Quer dizer, todos não. Mas muito deles. Hoje, em vez de um endereço novo de gulodices, quero compartilhar um livro. Não é lançamento nas livrarias, mas é sim na minha cozinha e na minha biblioteca. E cai de boca, estou apaixonada e acho que não pode existir cozinha sem um destes. Simples, incrivelmente ilustrado, Ingredientes (Loukie Werle e Jill Cox, Editora) é tipo assim, um livro de referência. Quer saber onde usar cerefólio, vá à página 12. Para entender a diferença entre o pennelisce, o penne rigate, o pennoni e o pennoni rigati, abra o livro na página 181. Para conhecer a família do senhor pepino, da qual fazem parte também o pepino libanês e o pepino ridge, consulte página 100. E assim por diante, tudo com foto. Confesso, torci o nariz na seção de carnes, mas faz parte do negócio... Então tá!

24 Novembro 2009

O toque do chef

Por muito tempo me perguntei de onde veio a mania dos chefs de cozinha usarem aquele chapéu alto – afinal, para manter a higiene, basta a touca que, aliás, até minha mãe usa todos os dias, na labuta de fazer o almoço e o jantar. E olha que alguns destes chapéus são tão altos que parecem dar trabalho para equilibrar no corre-corre das cozinhas.

Pois bem, fui pesquisar. O nome do dito cujo, exibido aqui em vários modelitos, é toque ou toque blanche (do francês, touca branca). Reza a lenda que esse chapéu entrou na cozinha no século XVI, durante o Império Bizantino. Refugiados em monastérios, muitos fugitivos das invasões bárbaras acabavam dando uma forcinha no preparo das refeições. Usar um chapelão igual dos religiosos era uma maneira de não ser reconhecido. Mas foi só no século XIX, quando o famoso chef Câreme reformulou os trajes dos cozinheiros, que o toque blanche passou a representar um nível de hierarquia.

Então, basta olhar: em cozinhas com muitos profissionais, de diferentes tamanhos, tem chapéu de diferentes alturas. O cara que carrega o maior de todos, o mais pomposo mesmo, é aquele que manda no pedaço, entendeu? Aos iniciantes resta vestir o bibico, aquele que parece um chapeuzinho de militar, às vezes com duas pontas.

03 Novembro 2009

Você gosta de cupcakes?


Juro, os cupcakes estão me perseguindo... Outro dia, em Buenos Aires, uma vitrine me chamou a atenção e eu até postei uma fotinho aqui. Acesso um blog novo e lá estão eles - tem da Hello Kitty, de brigadeiro e até cravejado de diamantes (claro que um deste não me persegue, sou eu que vivo em busca dele). No meio da tarde, zapeando na TV, paro em um programa de culinária e tem alguém dando uma receita da guloseima. No fim de semana fui visitar minha mãe e descobri que minha irmã está encantada com as mil possibilidades para decorar um... cupcake! O aniversário de um ano da fiha da prima vai ter o dito cujo. Socorro!!!
Mas é claro que eu não tô escrevendo este post apenas para dizer que me sinto perseguida por um batalhão de bolinhos multicoloridos e lindos de morrer. É que ontem eu me dei conta que uma loja de sapatos feiosos (afe, que os ex-donos não leiam, mas é mais justo dizer sapatos horrorosos!) na Rua Augusta, na altura do 2.500, entre as alamedas Lorena e Tietê, fechou. E a vitrine já está forrada com cartazes dizendo que ali vai abrir, em breve, uma lojinha especializada em advinha o quê!? Tchan, tchan, tchan, tchan...
O nome da futura mais nova loja de gulodice da área dos Jardins é Wonder Cupcakes e é óooobvio que eu vou lá conferir quando abrir. Mas fiquei tentando pescar na memória um cupcake que eu tenha gostado muito muito muito e sabe o que descobri? Para mim, eles são mais bonitos que gostosos. Aliás, se alguém tem aí na memória um cupcake delicioso, difícil de esquecer, me conta, viu!?

14 Outubro 2009

Churro argentino ou espanhol?

Eu gostaria muito de saber por onde anda o hermano Alberto di Nardo, um sujeito simpático de 50 e poucos anos, bom de papo, que por uns tempos manteve um delicioso café na Alameda Lorena, no local onde hoje funciona um Fran’s Café. Além de servir o expresso encorpado em xícara grande, seu Alberto alegrava minhas manhas de domingo com seu farto bufê de café da manhã, onde o churro sem recheio era, ao menos para mim, a atração principal.

Seu Alberto tomou chá de sumiço e a partir daí todas as minhas tentativas de comer um bom churro argentino, mesmo estando na Argentina, foram frustadas. Este aí da primeira foto, que eu encontrei lá em Puerto Madero, até que parece bonito – mas a massa era ressecada, cheia de óleo... Só não larguei pela metade para testar meu estômago de avestruz. Contudo, aprendi a lição: churro argentino, só se for em Sampa (seu Alberto, por onde andas?).

Fora do país, melhor ir direto à fonte. No ano passado, em minhas andanças pela Espanha, eu tinha de me conter para não parar em cada esquina e pedir churro com chocolate quente, que na verdade é um creme feito Chandelle (mas muuuuito mais saboroso), no qual você vai lambuzando o churro sequinho e sem recheio.

O churro surgiu na Espanha. Na receita original, é preparado com massa em formato cilíndrico e frito em óleo vegetal. Há uma máquina com um dispositivo de pressão, feito uma manivela, que é a responsável por conferir o aspecto ondulado do doce e o furo central, que pode receber diferentes recheios. Creme de confeiteiro, chocolate e doce de leite, que é o meu preferido. Por cima, vai uma fina camada de açúcar, com ou sem canela.

Devido à origem, esse doce acabou se tornando muito comum em países hispano-am ericanos, incluindo o México e a Argentina, e também no Brasil. Aliás, uma das minhas boas lembranças de infância era passar com minha mãe em um quiosque de uma galeria do bairro de Santana, lá na zona norte, para comer um churro. O quiosque ainda está lá, mas a última vez que provei nem achei tão bom. Para um autêntico churro espanhol em São Paulo, melhor ir até A Casa do Churro, no Tatuapé, onde a família do espanhol Antonio Farre Martinez faz o churro de roda, uma versão de 3 metros de comprimento, com ou sem recheio, que vem em uma caixa tipo de pizza, sob medida para dividir com a turma.