17 março 2009

Um brinde ao Saint Patrick!

É hoje o famoso Saint Patrick’s Day – em outras palavras, o dia de São Patrício, o padroeiro da Irlanda. Por lá, nesse dia de feriado nacional, rola um megaevento cultural. Irlandeses, descendentes e festeiros em geral se vestem de verde e saem às ruas para celebrar as suas tradições – e entre elas está a cerveja.

Bom, do lado de cá, Saint Patrick’s Day quer dizer dia de tomar uma Guinness (ou uma Murphys ou uma Beamish...) em um dos vários pubs da cidade. Entre os pubs de São Paulo, o meu preferido desde não sei quando é o Finnegan's Pub (Rua Cristiano Viana, 358, Pinheiros, 3062-3232), inaugurado no fim dos anos 80. Ótimo lugar para ouvir música, bater papo, paquerar e, claro, tomar cerveja.

Outra opção testada e aprovada é o All Black (Rua Oscar Freire, 163, Jardins, 3088-7990), onde rola hoje uma festa comandada pelas bandas Malaco Soul e Insônica e promoção de chope Guinness (R$ 10,00 o copo de 440ml). Seja qual for a sua escolha, não importa. Aliás, vale até mesmo ficar em casa. Só não deixe de tomar uma pro santo, ok? Assim a gente garante que não vai faltar cerveja gelada o ano inteirinho...

Ah, claro, só falei da cerveja mas não expliquei os fatos...
Bom, vamos lá:



Saint Patrick, ou São Patrício, nasceu em meados de 385 d.C., no País de Gales. Quando tinha 16 anos, foi levado como escravo para a Irlanda, vizinha de seu país de origem. Maewyn Succat, nome verdadeiro do padroeiro, conseguiu escapar da escravidão e retornar à Inglaterra, onde se tornou padre. Anos mais tarde, já consagrado Bispo, ele ganhou o nome de Patricius (Patrick no inglês), que vem do latim e significa “pessoa nobre da pátria”. Com a intenção de evangelizar os pagãos, St. Patrick retornou à Irlanda, onde o catolicismo ainda era desconhecido. Para difundir os ensinamentos da igreja, ele usava trevo, que o ajudava a explicar a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) dos católicos. Daí surgiu o costume dos irlandeses em usar o trevo como adorno em comemorações e de adotar a cor verde, que também está na bandeira do País, como símbolo maior.

16 março 2009

Sandubas matadores no Prêmio Abril

Acabo de saber por intermédio de minha amiga e sócia Silvana Azevedo que meu nome está entre os concorrentes do Prêmio Abril de Jornalismo de 2008, embora eu tenha me desligado oficialmente da editora já faz um tempo. Concorro pela matéria A enciclopédia do sanduíche, que fiz como frila e que foi publicada na Revista VIP de abril do ano passado. A premiação será dia 13 de abril e reconheço que os concorrentes da categoria de gastronomia são fortes, mas estar entre eles já é bem legal. E, melhor ainda, porque esta foi uma daquelas matérias feitas com vontade, com tesão mesmo. Bom, se alguém tiver tiver interesse em ler ou babar com as fotos lindas de sandubas matadores, como esta que a fotógrafa Sheila Oliveira fez do hambúrguer de salmão do chef Fabiano Marcolini, do Villa Marconi, lá em Curitiba, clique aqui.

15 março 2009

Monica's Bakery

Sei lá, desde que 2009 começou estou numa mania de fazer pão e afins. Aprendi a fazer pão pita, achei na net uma receita de biscoitos de pimenta e a reinventei, acrescentando outras coisas (ficou ótimo para acompanhar a cerveja), fiz pão integral com semente de linhaça e desenterrei uma receita de pão de cenoura que sempre é sucesso - é o pão de cenoura da tia da Maysa. O nome da tia da minha amiga eu não lembro, mas ela esteve uma vez em casa e me ensinou a receita, que hoje chamo de "pão da tia da Maysa".

Minha última investida foi usar essa receita, que rende quatro pães grandes, em minipãezinhos para coquetel. Só que eu não queria só de cenoura. Fiz também de espinafre, alecrim e beterraba. Deu muito certo e ficou coloridíssimo. Abaixo as fotos e o passo a passo para quem quiser se aventurar também! É fácil, mas demanda tempo: no total, foram 5 horas de diversão na cozinha.

A receita original da tia da Maysa

Ingredientes:
3 ovos
3 cenouras raladas
2 copos (do tipo requeijão) de leite
1/2 copo (do tipo requeijão) de óleo
2 tabletes (30g) de fermento para pão
1 quilo de farinha de trigo (mais ou menos)
3 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de sal

Modo de fazer:
1. Bata no liquidificador os ovos, as cenouras, o leite e o óleo.
2. Em seguida, junte a mistura aos ingredientes secos, sovando a massa até ficar macia. A quantidade de farinha pode variar. Importante é a massa ficar macia, lisa, sem grudar (mas o ponto ideal, na verdade, a gente só descobre fazendo várias vezes). Cuba a massa e deixe descansar até dobrar de volume (cerca de 1 hora em dias quentes).
3. Divida a massa em quatro partes e enrole os pães. Deixe descansar novamente. Aqui você pode usar o truque de mãe, de colocar uma bolinha da massa no copo d´água. Quando ela subir, é hora de assar em forno médio, pré-aquecido.


A versão: minipãezinhos para coquetel


Passo 1:
Use a criatividade para dar sabor aos pãezinhos.
Usei cenoura, beterraba, espinafre cozido e alecrim. Mas também já pensei que dá para fazer de abóbora, mandioquinha, cebola, abacate...

Passo 2:
Peque a mistura líquida da parte inicial da receita original e divida-a em quatro partes iguais (ou três, ou duas... Depende de quantas variações você quer). Depois volte-as separadamente ao liquidificador para juntar os ingredientes escolhidos. No caso do alecrim, que é seco, não precisa.

Passo 3:
Divida os ingredientes seco na proporção correta e junte as respectivas partes líquidas, já devidamente "com sabor". As massas vão ficar assim, coloridas. Cubra e deixe descansar.

Passo 4:
Hora de dar formato e colocar em forma untada com margarina e farinha de trigo. Se estiver grudando, acerte o ponto com mais farinha. Deixe descansar e leve ao forno. Cuidado: como são pequenos, os pãezinhos podem queimar. Melhor começar com fogo baixo e quando estiver assado aumente para dourar. O processo é rápido, cerca de 15min dependendo da potência do forno.

Passo 5:
Enfim, os pãezinhos prontos, coloridos. A receita rendeu cerca de 120 unidades.

13 março 2009

Restaurant Week – ainda dá tempo!

Puxa, eu queria ter postado antes, mas foi passando, passando... De qualquer forma, você ainda tem hoje, amanhã e domingo para aproveitar o evento. Igualzinho ao de New York, a onda do Restaurant Week é fazer uma temporada em que restaurantes bacanas fazem menus a um preço fixo: 25,00 no almoço e 39,00 no jantar, com entrada, prato principal e sobremesa. Some a isso dois opcionais (mas que não tem porque você deixar de pagar, certo?), que são os 10% de serviço + R$ 1,00 para a Fundação Ação Criança.

Visitei quatro deles: Bistrô Charlô, Boa Bistrô, La Risotteria Alessandro Segato e Thai Gardens. Os três primeiros eu já conhecia e foram escolhidos para almoçar por comodidade mesmo, afinal, todos ficam a alguns passos de casa. Bom, em linhas gerais, curti bastante o clima do evento. Apesar das filas, só encontrei atendimento eficiente e bem-humorado. Os pratos ofertados, é bom ressaltar, nem sempre refletem a grandeza do cardápio da casa. Mas nenhuma delas me decepcionou.

Meses atrás li em uma coluna da Danuza Leão, na Folha, que nestes tempos de crise muitos restaurantes franceses incluíram em seus cardápios um prato com preço camarada. Acho boa ideia, por dois motivos: aqueles que de uma hora para outra viram a conta ficar mais magrinha podem continuar mantendo a pose; e quem nunca teve grana para conhecer restaurantes bacanas, agora também pode. Por aqui a ideia de uma promoção eterna ainda não rolou, mas o Restaurant Week é um evento bacana e com propósito semelhante – afinal, não é todo mundo que pode se dar ao luxo de almoçar sempre no Bistrô Charlô ou na La Risotteria, certo? Uma boa dica, sobretudo no jantar, é fazer reserva antes. Abaixo minhas impressões.

Bistrô Charlô (R. Barão de Capanema, 440, Jardins, 3087-4444): em pleno sabadão, foi o mais demorado: quase uma hora para descolar uma mesa, mas a gentileza do maître e dos garçons fez a espera ficar leve. Escolhi um creme de pupunha com azeite de alcaparras para entrada + couscous marroquino com caçarola de frango, damasco e ameixa (eis um assunto para outro post: já reproduzimos em casa e ficou divino) e, para finalizar, torta de gianduia com sorvete de creme. Tudo bem gostoso, tempero equilibrado, mas eu, doceira que sou, preferi a a sobremesa. A torta estava cremosa, macia, muito boa mesmo.

Boa Bistrô (R. Padre João Manuel, 950, Jardins, 3082-5709): acho que a chef Tatiana Szeles poderia ter caprichado mais nas opções disponíveis para o Restaurant Week. De qualquer forma... Gostei bastante do saboroso escondidinho de fumeiro servido na entrada. O prato principal, ok, foi um dourado grelhado com salté de pupunha e arroz de coco . Já o sorvete de limão servido com canudinho de doce de leite na sobremesa estava meio sem sabor.

Thai Gardens (Av. 9 de Julho, 5871, Itaim, 3073-1507): não conhecia e achei o ambiente divino, como comprova a foto de divulgação ao lado. Fiz reserva com três dias de antecedência, quando cheguei meu nome não estava na lista, mas confiaram na minha palavra e aprontaram uma mesa em excelente localização em menos de 5 minutos, apesar da grande fila de espera. A entrada tod man pia é um peixe moído e empanado acompanhado de um delicioso molho agridoce. Adorei o prato principal que escolhi, o massaman kai (frango com batata preparado com molho de curry vermelho e leite de côco) e fiquei bem feliz com a sobremesa também, que não lembro o nome, mas era um úmido bolinho a base de abóbora.

La Risotteria Alessandro Segato (R. Padre João Manuel, 1156, Jardins, 3068-8605): cheguei cedo, 12h em ponto, e tinha mesa livre. Oba! Para entrada escolhi galantine de coelho com salada de feijões brancos. O prato principal, no ponto, foi um saboroso risoto de vôngole e nozes. A sobremesa, um cheesecake caramelado, não estava assim tão lindo como o este da foto divulgada pelo evento, mas sim, estava muuito bom.

Já escrevi um montão, mas aí vão mais duas dicas: 1) todos
prepararam uma carta de vinhos para o evento com opções em taça e/ou preços camaradas. 2) Tal como NY, o nosso Restaurant Week também vai ter duas edições no ano. A próxima será em agosto. O site para informações (lá tem a lista dos mais de 100 restaurantes que participam) é www.restauranteweek.com.br.

09 março 2009

Azeite, o ouro líquido

Esse blog também atende sugestões e pedidos, sabia? Pois bem, esse post é para Claudia Pinto, que assim como eu (e a maioria dos mortais, não?), é fã incondicional do azeite. Com uma pesquisa rápida já daria organizar um doutorado sobre o tema, mas blog é blog, tudo rapidinho, então vou me concentrar no que interessa: como surgiu essa delícia, tratar de uns bons motivos para consumir e, o mais importante, dar a dica para você não usar um produto modificado. Tem até azeite com corante, sabia?

Aos fatos: o azeite de oliva é extraído das azeitonas, por meio da prensagem. O método de produção, bastante antigo, muito provavelmente surgiu na Ásia, já que é por lá que se tem registro das primeiras oliveiras. Sabe-se que hebreus, gregos e romanos já se lambuzaram com o azeite e não apenas na alimentação. Há registros de que o ingrediente era usado em medicamentos, bálsamos e até base de perfumes.
Agora dá uma viajada no tempo e pronto, cá estamos no século 21. Atualmente, os melhores azeites vêm de países como Portugal, Espanha, Grécia, sul da França e Turquia, onde as oliveiras se dão bem. A produção mundial de azeite hoje alcança 2 milhões de toneladas e, para nossa alegria, existe uma infinidade de bons azeites que cruzam o Atlântico em vidrinhos para encher as prateleiras do supermercado.

Aí você chega lá, dá uma de muquirana e escolhe o mais baratinho? Muito provavelmente vai se dar mal, porque azeite bom, em geral, não é barato. Aliás, o apelido "ouro líquido" já diz tudo. É bom, reluz, mas custa uns bons trocados. O principal atributo que para a qualidade do azeite (veja abaixo) é a acidez, mas há outros, como cor, aroma e sabor. Tal como o vinho, tais atributos dependem de questões como o clima onde é plantada a oliveira, o cuidado na colheita, a seleção e o tipo de azeitona usada etc. Por isso, existem azeites mais ou menos nobres. Atualmente, dizem os experts, os espanhóis são os que melhor dominam a técnica da produção do azeite, mas particularmente, tenho experimentado bons azeites vindos de Portugal também.

E não faz mal à saúde? Claro que não: trata-se de um ingrediente rico em vitamina E, pobre em colesterol (oba!) e boa proporção de monoinsaturados, apesar de possuir alto valor calórico. Tem gente que até diz que duas colheres de sopa diárias ajudam a reduzir a gordura abdominal. Será? Bom, como tudo na vida, melhor curtir com moderação! Em saladas, peixes, massas... sabe que tem até receitas doces que levam azeite!? Eu adoro um fio sobre as rodelas de mussarela de búfala e manjericão que repousam no pão ciabatta fresquinho...hummm!

Na hora de comprar, fique de olho no rótulo na classificação definida pela União Européia:

Azeite extravirgem: é o que tem acidez menor que 0,8% e o que melhor se sai nos testes sensoriais, pois é extraído na primeira prensagem das azeitonas. Elas não sofrem outro tratamento que não seja lavagem, decantação, centrifugação e filtragem. São produtos de alta qualidade e mais indicado para pratos frios, na finalização de pratos ou saladas. Quando vai ao fogo, esse tipo de azeite perde um pouco de seus atributos, como cor e aroma.

Azeite de oliva virgem: processo idêntico ao primeiro, mas a acidez fica entre 0,8% e 2%. Também conhecido como “fino”. Claro, o extravirgem é melhor, mas esse passa tranquilo!

Azeite de oliva: quando não alcança um sabor perfeito ou contém um elevado grau de acidez, o azeite é submetido a um processo de refinado. Aí junta-se outros azeites em diferentes proporções e o produto passa a ser vendido com esse nome.

Azeite de oliva virgem lampante: têm acidez maior que 2% e se destina ao uso industrial, quando é misturado com outros azeites de oliva. Esquece!

PS. Sorry, leitores ficou enorme. Mas o assunto é bom e eu estava com saudade de escrever no blog!